Tabus relacionados ao suicídio e sobre como prevenir o problema são temas de debate que ocorre hoje

10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Especialistas apontam que é preciso falar sobre o assunto para que ele possa ser evitado

A prevenção ao suicídio ainda é um tema polêmico. Na verdade, falar sobre suicídio foi durante muito tempo um tabu, pois se acreditava que isso poderia estimular esse ato. Os estudos e a observação de profissionais da saúde mental, porém, apontam que a falta de escuta e ajuda especializada para seu sofrimento levam muitos pacientes a cometerem o ato, pois a imensa maioria dos casos de suicídio estão associados a algum transtorno mental não tratado. Esse será o tema de um debate promovido hoje (9) pela clínica Holiste Psiquiatria, com a psiquiatra Fabiana Nery, intitulado “Suicídio –Quebrando tabus”, como parte da campanha do Setembro Amarelo e do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (10). Em função da pandemia de Covid-19, o evento será online, transmitidos ao vivo através do canal da Holiste Psiquiatria no Youtube e através do Instagram @holistepsiquiatria, a partir das 19h.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que, anualmente, cerca de 800 mil pessoas cometem suicídio no mundo. Nos últimos dez anos, a taxa de suicídio cresceu mais de 40% entre os brasileiros de 15 a 29 anos. Na Bahia, os dados apontam que entre 2010 e 2017 foram contabilizados 3.324 casos de suicídio. Segundo a própria OMS, a maior parte desses casos poderia ser evitada caso as pessoas tivessem recebido ajuda adequada. No contexto atual, no qual as mudanças e dificuldades ocasionadas pela pandemia de Covid-19 acendem um alerta para a saúde mental da população, especialistas já temem que o número de suicídios possa aumentar nos próximos meses.

“Existe uma percepção equivocada de que falar sobre suicídio irá incentivar as pessoas a fazerem isso, mas o que percebemos é que isso não acontece, entretanto existe a maneira correta para abordar o assunto. Falar sobre isso não vai dar a ideia de cometer suicídio, é exatamente o contrário.  O indivíduo que está com pensamentos suicidas vai ficar aliviado em falar sobre isso, e em buscar uma ajuda, uma saída dessa situação.  Ao notar alguma mudança de comportamento em um familiar, um amigo, deve-se perguntar, mas sem fazer julgamentos, apenas oferecer ajuda.”, indica a psiquiatra Fabiana Nery.

O ato suicida é um fenômeno complexo, que dificilmente é causado por um só fator. Mas, a estimativa é que 90% dos casos sejam ligados à um transtorno mental, sendo 80% associados diretamente a cinco diagnósticos: Depressão, Transtorno Bipolar, Dependência Química, Esquizofrenia e Transtornos de Personalidade. Isso acontece porque, quando não tratado corretamente, o transtorno mental pode provocar um sofrimento profundo associado a sentimentos de desesperança.

Além da live de hoje, a clínica promove uma série de outros debates ao longo do mês de setembro. Com a campanha “O suicídio não espera setembro chegar. É preciso cuidar da Saúde Mental em todos os momentos”, a Holiste resgata o sentido original do movimento, que é criar um ambiente para que as pessoas possam conversar sobre o tema em qualquer momento.

No dia 16, a palestra “Depressão e suicídio” será ministrada pela psicóloga e Coordenadora do Núcleo de Depressão Resistente da Holiste, Ethel Poll; o “Comportamento suicida infantojuvenil” será a temática abordada pelo psiquiatra Victor Pablo da Silveira, no dia 23; encerrando os debates, no dia 30, a psicóloga e Coordenadora da Residência Terapêutica Holiste, Caroline Severo, fala sobre “O Transtorno Bipolar e o suicídio”.

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