Medo diante da retomada das atividades laborais pode desencadear transtornos ansiosos

Salvador iniciou a primeira fase da retomada das atividades comerciais que, desde março, foram suspensas em função da pandemia de covid-19. Considerando que o risco de contrair coronavírus e de complicações em função do adoecimento ainda existe, ter medo é natural e necessário para que os cuidados pra evitar contaminação continuem sendo tomados. Porém, quando esse medo chega a um ponto que traz consequências negativas para a vida da pessoa, é preciso ficar alerta para um possível quadro de transtorno mental.

O psicólogo e diretor técnico da Holiste Psiquiatria, Ueliton Pereira, afirma que o medo é um sentimento natural e necessário para a sobrevivência humana. É ele que faz com que o indivíduo se proteja de situações perigosas que oferecem risco à vida. Esse sentimento só é um problema quando a pessoa começa a não conseguir desempenhar suas atividades normalmente, afetando vários aspectos da vida.

“Quando o medo ultrapassa um limite a ponto de a pessoa não conseguir avançar, isso começa a ficar preocupante. Se a pessoa deixa de realizar atividades que antes fazia, tendo uma perda funcional, isso é um sinal de que ela deve buscar ajuda. Para quem não está conseguindo superar o medo e isso está trazendo consequências negativas, como não conseguir sair de casa, é importante um acompanhamento psicológico”, alerta Ueliton.

O psicólogo explica que esse acompanhamento fará com que seja possível identificar quais são os gatilhos que fazem com que o medo paralise a pessoa, e a partir disso encontrar formas de gerenciar esse processo.

Nesse momento de retomada, Ueliton salienta que é importante que as empresas estejam abertas, com seus setores de RH atentos e com estratégias elaboradas para, além de dar mais segurança aos empregados, também ouvir suas dúvidas e receios, dar orientações e oferecer ajuda, além de deixar claro o que está sendo feito para aumentar a segurança.

“É um momento muito novo, que nunca passamos. É fundamental que todos estejam abertos ao diálogo e tanto o empregador deve ouvir e assistir os funcionários em seus temores e necessidades, quanto o colaborador deve reportar se tiver qualquer sintoma ansioso, como aumento da sudorese, palpitação, perda de percepção da realidade e outros que estejam afetando sua funcionalidade. É importante não deixar de pedir ajuda”, completa Ueliton.

SÍNDROME DO PÂNICO

A ansiedade excessiva e o contexto de medo diante do desconhecido pode levar até mesmo a uma crise de pânico, ou ser o gatilho para a Síndrome do Pânico. De acordo com a psiquiatra da Holiste Paula Dione, qualquer pessoa, em diferentes situações, pode ter uma crise. A Síndrome do Pânico, porém, será diagnosticada por uma avaliação individual do paciente, mas um dos fatores que a indica é a preocupação regular com as crises – se acontecer de novo, quando, como será – e a repetição e duração delas. O medo da morte ou de perder o controle (enlouquecer) é comum durante as crises.

O tratamento depende de cada caso, mas pode envolver medicações que são indicadas para a redução imediata da crise, apenas para o controle dos sintomas, e/ou remédios que vão atuar na prevenção de novas crises e da ansiedade.

“A psicoterapia também é indicada e pode ser o único tratamento ou acompanhada do tratamento medicamentoso. Ela é muito importante para que o paciente saiba identificar gatilhos e, dessa forma, evitá-los.”, aponta a psiquiatra.

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