Evento gratuito esclarece sobre Transtorno Bipolar

 A psicóloga Caroline Severo, também palestrante do evento que vai abordar “Fases e faces do transtorno bipolar” 

O Transtorno Bipolar afeta, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 140 milhões de pessoas no mundo e é considerada uma das principais causas de incapacidade. No Brasil, a estimativa é de que cerca de 15 milhões de brasileiros sejam portadores da patologia, número que corresponde a 8% da população brasileira. Com o objetivo de proporcionar o debate e disseminar o conhecimento sobre o assunto, no dia 18 de março, às 19h30, será realizado o Encontro Holiste, evento gratuito e aberto ao público que vai trazer palestras sobre o tema.

A bipolaridade caracteriza-se por alterações de humor que se manifestam através da alternância entre episódios de depressão e de euforia. O desconhecimento, a banalização e o estigma relacionado ao transtorno são os principais fatores que distanciam os pacientes de um tratamento assertivo e uma melhor qualidade de vida.  Um dos desafios dos profissionais de saúde é levar ao entendimento da diferença entre personalidade e transtorno. 

“Muitas vezes, uma pessoa que tem uma personalidade forte ou que apresenta variações mais aparentes de humor é chamada de bipolar. No entanto, a bipolaridade é um transtorno caracterizado por longos períodos de depressão e longos períodos de mania, que também podemos chamar de euforia. A variação de humor é algo natural. Mas, no transtorno bipolar, estamos falando em uma manifestação por dias ou semanas nas quais o indivíduo apresenta de forma constante depressão ou mania”, explica a psiquiatra Paula Dione, uma das palestrantes do Encontro Holiste, e aborda o tema “Como diferenciar traços de personalidade de sintomas agudos”.

A psicóloga Caroline Severo, também palestrante do evento que vai abordar “Fases e faces do transtorno bipolar”, destaca que o oposto também pode ocorrer, ou seja, o transtorno ser tomado unicamente como elementos da personalidade.

“É comum ouvir: ‘ele tem personalidade forte’, sendo que isso se trata da expressão da crise. Lógico que ela não inventa um sujeito que não existe, mas amplia os aspectos disfuncionais daquele indivíduo e, também, suas frustrações subjetivas”, destaca a especialista.

Transtorno Bipolar e suicídio

O transtorno bipolar é uma das doenças psiquiátricas com maior índice de suicídios, ao lado da depressão. Segundo a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar, de 30% a 50% dos pacientes com o diagnóstico tentam o suicídio, o que pode ocorrer tanto na fase depressiva quanto na euforia.

“O que a gente percebe muito é que há uma relação mortífera, tanto na mania quanto na depressão, com o outro. Na mania, há uma superação de tudo que, possivelmente, foi perdido para ele. Não há mais sentimento de falta, ele está totalmente preenchido, a euforia dá essa sensação de que ele pode tudo, que ele dá conta de tudo, e o quanto, por causa disso, ele se coloca em situações de risco que podem, sim, levar ao ato suicida. Na depressão há uma ruptura no sentido da relação com o próprio eu: ‘Eu sou um nada, eu não tenho nada, eu não sirvo para nada’ – e muitas vezes esse sentimento de vazio, de inutilidade, leva a atos extremos como o suicídio”, explica Caroline.

Encontro Holiste

O Encontro Holiste é um evento gratuito, com vagas limitadas. É necessário fazer a inscrição pelo endereço encontros.holiste.com.br. O debate ocorre no dia 18 de março, às 19h30, no auditório da clínica Holiste Psiquiatria, localizada na Rua Marquês de Queluz, 323, em Pituaçu. 

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