A comunicação e a transformação digital, por Cinthya Medeiros

Estamos assistindo a uma nova onda no processo de inovação digital, com o surgimento e a disseminação das redes e mídias sociais. Esta nova onda provocou uma transformação na forma de se fazer comunicação no mundo todo, atingindo em cheio as organizações.

O fluxo de informações, que antes era unidirecional, passou a ser pulverizado, sem controle, nem fronteiras. Mídias sociais como o Facebook e o Twitter passaram a impactar algumas funções da atividade, pautando os meios de comunicação de massa, em um processo de desmassificação destes veículos. Nas condições impostas pelo novo ambiente mundial, estabeleceu-se uma mudança na práxis da atividade dos comunicadores, em função da instantaneidade e abrangência ilimitada da difusão das informações.

Tais mudanças alteraram a estrutura de produção e consumo da informação jornalística e a relação entre consumidor e empresa. A emergência das mídias sociais facilita o compartilhamento de informações sobre assuntos variados e oferecem uma alternativa eficaz ao composto tradicional de comunicação, exigindo, porém, uma nova postura dos profissionais diante dessas novas demandas. Hoje, na comunicação, estamos mudando da tradicional pirâmide de influência para um paradigma mais fluido, colaborativo e horizontal. Esta democratização é o principal motor da mudança radical que se observa hoje na comunicação, forjando uma mudança de atitudes nos profissionais do segmento.

O monitoramento sistemático do humor do consumidor em relação às marcas, expressados em diversas plataformas digitais, é uma atividade padrão hoje das equipes de comunicação, que a partir desta leitura antecipam possíveis crises, monitoram tendências e contornam insatisfações. Na imprensa, a instantaneidade dos acontecimentos provocou alterações nas coberturas jornalísticas e obrigou a uma mudança na forma de atuação.

 

Irônico perceber, porém, é que todo este cenário carregado de inovação já existia na sociedade, com outras denominações, amplitude e recorrência. Os pesquisadores americanos Glynn Mangold e David Faulds (2009) consideram as mídias sociais como extensões do tradicional boca-a-boca, sugerindo que as diferenças significativas, entre a mídia tradicional e a mídia social, concentram-se na velocidade do processo de comunicação e no número de pessoas impactadas.

Já a escritora Martha Gabriel lembra que redes sociais existem há pelo menos 3.000 anos A.C. A diferença é o colapso no tempo e no espaço. E a evolução que hoje presenciamos nas redes acompanha a evolução da tecnologia de comunicação, que, segundo ela, iniciou com a escrita até chegar às redes sociais presenciais como conhecemos hoje. Ingressamos em uma nova era, mas a fundação foi levantada há milênios.

 

Artigo de Cinthya Medeiros, jornalista, mestre em Administração e sócia diretora da ATcom-Comunicaão Corporativa

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