Artigo – Técnicas de cultivo mínimo para conservação do solo e da água

Por: Altair Negrello Jr, gerente sênior Florestal da Bracell Bahia

Foto: Acervo Bracell

O Brasil é referência mundial em sustentabilidade nas operações florestais. E tem bons motivos para isso. O desenvolvimento científico e tecnológico adquirido pelas empresas do setor florestal ao longo de décadas permite afirmar que o manejo correto de suas florestas, além de aumentar a produtividade dos plantios, protege o solo e sustenta os recursos hídricos.

Neste contexto, pode-se destacar a evolução das técnicas de preparo do solo na silvicultura. Há alguns anos, estas operações eram marcadas por intensas intervenções no solo e uso das queimadas para manejar os resíduos da colheita florestal. Ao passar do tempo, foi-se buscando alternativas que minimizassem as interferências no solo de forma a ampliar sua capacidade produtiva, tendo sempre sua sustentabilidade como bem maior. Tecnicamente, este conjunto de técnicas ficou conhecido como cultivo mínimo.

Desenvolvido na segunda metade da década de 1980 e amplamente difundido desde então por todo o Brasil, o cultivo mínimo pressupõe o menor revolvimento possível do solo, fazendo a subsolagem apenas na linha onde serão inseridas as mudas, sem realizar queimadas (com o objetivo de “limpar” a área antes de plantar) e mantendo cascas, galhos e folhas no campo após a colheita da madeira.

Trata-se de uma técnica conservacionista, que evita processos erosivos e que integra o leque de cuidados ambientais adotados, que vão desde a pesquisa do material genético a ser usado nos plantios até o transporte da madeira.

Motivada pela responsabilidade na conservação dos solos e da água, a Bracell integra diferentes tipos de práticas conservacionistas que permitem evitar e mitigar o processo erosivo. Algumas destas práticas operacionais são: manter o solo coberto com vegetação a maior parte do tempo, manter os resíduos da colheita de madeira dentro dos talhões e restringir o preparo de solo apenas às linhas de plantio.

Além disto, preconiza-se a utilização de corretivos e fertilizantes para obter rápido arranque das mudas e maior crescimento vegetal. Vale mencionar ainda a utilização de curvas de nível na implantação de alguns projetos, o uso de terraços e o preparo de solos intermitentes.

Resumidamente, buscamos definir nossas operações de forma a maximizar a produção florestal, porém dedicando especial atenção à conservação de nossos solos, reconhecendo sua importância e garantindo a sustentabilidade deste importante recurso natural.

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