Se a fake news é o veneno, o bom jornalismo é o antídoto

Nos dias de hoje, quando todos ganharam voz através das redes sociais e nelas postam, curtem e compartilham toda a sorte de informações, os jornais e jornalistas nunca foram tão úteis e necessários para a sociedade. Porque existe uma diferença entre informação, opinião e notícia. E o jornalista é o profissional capacitado para elaborar a notícia. Notícia é diferente de informação e de opinião.

Podemos dizer que informação é a “matéria prima” da notícia. Entretanto, nem toda informação é notícia. Isso porque uma informação é um fato isolado. A ocorrência de uma passeata num determinado local e hora, por exemplo, é uma informação. A notícia vai além disso: informa que vai haver a passeata, diz onde é o local, mas também explica os motivos e o contexto em que ela se dá, inclusive contendo fontes que se expressam contra e à favor da passeata.

Já opinião é outra coisa. É quando o autor do texto apresenta o seu pensamento, interpretação ou análise. Confundir informação e opinião com notícia tem levado muita gente ao erro. E ao desprezar o conhecimento da origem da informação as pessoas passam contribuir com a propagação das fake News, usando a máxima: “se eu concordo é verdade”.

De acordo com o Digital News Report de 2018 do Reuters Institut, 32% das pessoas acreditam nas informações das redes sociais. Em contrapartida, 59% acreditam nas informações jornalísticas. O próprio Mark Zuckerberg, no caso do vazamento e manipulação de dados no caso da Cambridge Analytica, utilizou os jornais impressos para divulgar o seu pedido de desculpas. E porque isso aconteceu? Porque credibilidade importa. Independentemente da plataforma que utilizam, os meios de comunicação que se pautam pelos princípios básicos do bom jornalismo tornaram-se uma espécie de “acreditadores” ou “verificadores” da informação. É óbvio que o jornalista também erra. Mas o erro é a exceção e não a regra. Porque entre os princípios internacionais da ética profissional no jornalismo está a garantia do direito das pessoas à informação verdadeira e autêntica. Além do respeito à dignidade humana, aos valores universais e à diversidade de culturas. Assim, o jornalista é o profissional responsável por assegurar a veracidade dos fatos.

 

Por Suely Temporal

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